Biofeedback
Biofeedback: Treinar o Cérebro e o Corpo para Vencer a Ansiedade e o Pânico
Para quem sofre de crises de ansiedade ou ataques de pânico, a sensação é de que o corpo perdeu o controlo. O coração dispara, a respiração fica curta e o medo torna-se paralisante. Mas e se pudesse "ver" estes processos em tempo real e aprender a revertê-los? É aqui que entra o Biofeedback.
Esta tecnologia funciona como um espelho biológico, permitindo-lhe monitorizar funções que normalmente são automáticas e treiná-las para alcançar um estado de calma.
O Alvo Principal: A Amígdala e o "Sequestro Emocional"
No centro de qualquer ataque de pânico está uma pequena estrutura no cérebro chamada Amígdala. Ela funciona como o detetor de fumo do corpo.
O Problema: Em pessoas com ansiedade crónica, a amígdala torna-se hipersensível, disparando alarmes de "luta ou fuga" mesmo quando não existe um perigo real. Isto é o que chamamos de sequestro da amígdala.
O Treino: O biofeedback ajuda a treinar o córtex pré-frontal (a parte racional do cérebro) para enviar sinais inibitórios à amígdala. Através do treino, ensina o seu cérebro a reconhecer que o alarme é falso e a desligar a resposta de stress antes que ela se transforme numa crise.
Os Órgãos e Sistemas que o Biofeedback Treina
O biofeedback não atua apenas no cérebro; ele treina os órgãos que reagem durante uma crise de ansiedade:
1. O Coração
Durante o pânico, o batimento cardíaco torna-se rígido e acelerado. O biofeedback treina a coerência cardíaca. Ao equilibrar o ritmo do coração, enviamos uma mensagem direta ao sistema nervoso central de que o corpo está em segurança.
2. Os Pulmões
A hiperventilação é um gatilho comum para o pânico. O treino de biofeedback foca-se no diafragma. Ao treinar uma respiração abdominal lenta e rítmica, o utilizador aprende a baixar os níveis de dióxido de carbono no sangue, estabilizando o pH e evitando os sintomas de tontura e formigueiro.
3. As Glândulas Suprarrenais
Estas glândulas são responsáveis pela libertação de cortisol e adrenalina. Ao reduzir a reatividade do sistema nervoso simpático através do biofeedback, as suprarrenais param de inundar o corpo com hormonas de stress "desnecessárias".
4. A Pele
A nossa pele reage instantaneamente ao stress micro-suando (mesmo que não se note). O biofeedback mede esta condutividade elétrica. Treinar a pele para manter níveis estáveis é, na verdade, treinar o sistema nervoso autónomo para não reagir de forma exagerada a estímulos externos.
Conclusão: Retomar o Leme
O Biofeedback não ajuda na ansiedade através de uma intervenção externa; ele ensina-o a ser o mestre do seu próprio corpo. Ao treinar a amígdala, o coração e o padrão respiratório, deixa de ser um passageiro à mercê do pânico e passa a ser o condutor do seu bem-estar.


