Biofeedback
Sintomas depressivos: quando o corpo ajuda a mente

Existe uma ligação profunda entre o estado do organismo e o estado emocional. Há anos que a observo na clínica, mas só recentemente a ciência começou a medi-la com rigor.
Em 2021, uma equipa italiana publicou na revista Scientific Reports uma meta-análise sobre o efeito do Biofeedback nos sintomas depressivos. Analisaram 14 estudos, com 794 participantes no total.
A conclusão foi que o Biofeedback reduziu de forma significativa os sintomas depressivos, com um efeito moderado. O mecanismo proposto é fascinante: ao aprender a regular as respostas do próprio organismo, a pessoa fortalece o sistema nervoso parassimpático, o "travão" natural do corpo, que tende a estar enfraquecido em estados depressivos.
Os autores são cautelosos, como devem ser, e pedem mais estudos de grande dimensão. Mas destacam que se trata de uma intervenção não invasiva, sem efeitos secundários e que pode ser aprendida em poucas sessões.
Na minha prática, vejo o Biofeedback como uma porta de entrada. Quando alguém sente que consegue influenciar o próprio estado interno, algo muda na forma como enfrenta o dia a dia.
Fonte: Pizzoli SFM, Marzorati C, Gatti D, Monzani D, Mazzocco K, Pravettoni G. A meta-analysis on heart rate variability biofeedback and depressive symptoms. Scientific Reports, 2021;11:6650. Disponível na PubMed.

